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15 de abril de 2016

[Resenha] O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares (ou: quase x-men, mas gótico)

Resenha Avaliação Comentário O orfanato da Srta. peregrine para crianças peculiáres (Original: Miss Peregrine's Home for peculiar children)

Título: O orfanato da Srta. peregrine para crianças peculiáres (Original: Miss Peregrine's Home for peculiar children)
Autor: Ransom Riggs
Editora: Leya
Ano: 2012

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Era uma vez uma casa enorme. Nessa casa, viviam muitas crianças e adolescentes que não eram comuns. Os moradores dessa casa são considerados esquisitos pelos vizinhos e a verdade é que são mesmo: cada um deles tem uma habilidade que os torna únicos - levitar, lançar chamas pelas mãos, prever o futuro, fazer as plantas crescerem... Para viver uma vida normal, eles seguem seus dias disfarçados do resto do mundo, aprendendo a controlar seus poderes e a viver sempre apoiando os seus iguais, sob a tutela preocupada de alguém adulto que também tem habilidades únicas.

Poderia ser X-Men, mas é o orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares.

O protagonista da história, o adolescente Jacob, de 16 anos, acaba de perder um avô de quem era muito próximo. Esse avô já estava sendo considerado senil pela família (e pelo próprio Jacob), assombrado por monstros invisíveis e repetindo sobre histórias do passado, em que ele dividiu a infância com crianças que voavam, eram super fortes ou invisíveis. O ponto de virada é justamente a morte trágica: nos derradeiros minutos, Jacob é capaz de ver o monstro que ele sempre acreditou ser fantasia. E é confrontado com a dúvida: e se todas as outras histórias que ele ouviu do avô na infância forem verdade?

O livro é todo ilustrado com fotos reais, ao estilo bizarro dos circos de horror antigos, que serviram de base para o desenvolvimento de muitos dos personagens centrais do livro. Enquanto acompanhamos a busca de Jacob pelo passado do avô, tentando entender o que é ou não real, nos pegamos descobrindo uma passagem mágica para um tempo diferente. O orfanato da srta. Peregrine está no passado, preso atrás de uma fenda que mantém todos os internos protegidos.

Enquanto se dá conta da imensa bagunça em que está metido, Jacob também é seduzido pelo mundo de esquisitices que encontrou do outro lado da passagem. Acolhido por todos e com poucos laços afetivos o prendendo no mundo presente, Jacob se descobre muito mais parte do mundo dos x-men góticos do que do seu próprio.

O garoto também se descobre peça central de uma luta contra uma ameaça assustadora que ele nunca imaginou existir.

O final do livro fecha um ciclo de aventuras e inicia outro, exatamente da forma como aventuras desse gênero costumam (e devem) terminar. Já quero ler a continuação e continuar acompanhando esses estranhos pequenos heróis em sua busca por sobrevivência, proteção e justiça.

A adaptação cinematográfica, sob a direção do adequadíssimo Tim Burton, já chegou aos cinemas. Pelo trailer já dá para ver que algumas coisas foram modificadas e adaptadas, Mas, no contexto geral da história, talvez isso não importe tanto.


Qual sua aposta? Um livro bem adaptado para as telas ou mais uma vez o livro vai ser melhor do que o filme?

12 de abril de 2016

[Resenha] As esganadas (ou: motivos para temer pasteizinhos de nata)

Título: As esganadas
Autor: Jô Soares
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2011

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Minha mãe chegou em casa com esse livro e me perguntou o que eu já tinha lido do Jô Soares. E fora alguns textos e frases soltos (de autoria questionável), eu não tinha lido nada. Foi uma ótima oportunidade de resolver isso.

Eu já tinha assistido a adaptação cinematográfica de um livro do Jô - O Xangô de Baker Street - e lembro de ter achado um pouco estranho. Essa coisa de misturar serial killers, história do Brasil, detetive lusitano e humor talvez seja característica dele, já que a estrutura se repete claramente em "As esganadas".

Sem paciência para grandes mistérios, nosso assassino e sua motivação já são revelados logo no início da história, assim como acompanhamos seus planos e triunfos ao longo da narrativa. As vítimas da vez são mulheres gordas, moradoras de um Rio de Janeiro dos anos 30 perfeitamente contextualizado pelo autor, seduzidas pela possibilidade de doces portugueses de graça.

Os personagens, de modo geral, são carismáticos e divertidos, pessoas que é fácil imaginar em um filme ou novela (mas não na vida real). Desde o caricato Tobias Esteves, nosso detetive lusitano, até os funcionários da delegacia, a jornalista charmosa e sagaz e a esposa-troféu, todos os personagens são exatamente isso: personagens, tipos bem estruturados e impossíveis, repletos de clichês e piadas.

É um livro sem grandes desafios, um entretenimento rápido e seguro, com personagens fáceis de reconhecer na nossa ficção.

Vale a leitura, mas não espere um livro de horror ou de mistério. Jô Soares é um comediante e nesse livro brinca com a morte e a crueldade como faria em uma esquete de TV.

8 de abril de 2016

[Resenha] O Pacto (ou: distopias adolescentes everywhere)

Título: O pacto (The declaration)
Autor: Gemma Malley
Editora: Rocco Jovens Leitores
Ano: 2009

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Eu acho que esse foi o primeiro livro em meses que eu li e achei médio. Não chega a ser ruim, mas tem um ritmo lento e um enredo que por mais promissor que pareça, não se desenvolve muito bem. Pega carona na onda de distopias adolescentes e bebe na fonte de histórias como "Jogos Vorazes" e "Feios", mas com menos profundidade.

O tal pacto, do título do livro, chegou depois de a humanidade desenvolver um tipo de droga que permite a imortalidade. Com isso, o mundo ficou cada vez mais populoso, já que as pessoas pararam de morrer. Em nome de economizar recursos, o pacto surgiu: ninguém mais poderia ser filhos, a menos que renunciasse à imortalidade.

Radical, a decisão gerou controvérsias e, aos poucos, a juventude real foi praticamente extinta. Filhos "ilegais", nascidos de pessoas que desrespeitaram o pacto, são tirados de seus pais e levados para grandes lares comunitários onde, sob torturas, ameaças e humilhações, aprendem que não tem direito ao mundo e, pelo contrário, estão em débito com ele. Por isso, os chamados "excedentes" são crianças sem sobrenome e sem autoestima, treinadas desde bebês para servirem aos Legais.

Protagonista da história, a Excedente Anna é exemplar.  Disciplinada, silenciosa e com uma autoestima invertida e impecável. Anna tem certeza de que não tem nenhum direito e mais certeza ainda de que precisa servir com dedicação total e resiliência absoluta. Uma perdida marionete do sistema, até a chegada de Peter, um rapaz misteriosos e rebelde com informações sobre o mundo lá fora.

Ou seja, até agora nada de novo sob o Sol. Uma mocinha que não tem a menor intenção de se rebelar, perfeitamente adaptada a um sistema que a oprime, e a-pessoa-que-desencadeia-a-mudança. Anna ao poucos (claro) se apaixona por Peter e os dois articulam uma fuga (claro) para se juntar a uma aliança rebelde que está disposta a reverter as coisas (claro).

Enfim.

As reflexões sobre as consequências que a imortalidade teria no nosso planeta são louváveis e até tornam a leitura um exercício interessante de filosofia. Mas é difícil destacar mais do que isso nesse livro.

O livro termina ainda com muitas pontas soltas e de maneira quase que previsível. A história é uma trilogia mas, a julgar pelo volume 1, não fiquei empolgada para continuar.

Você já leu? Tem uma opinião diferente da minha? Deixe aí nos comentários.

6 de abril de 2016

[Resenha] ItGirls (ou: um blog, mas impresso)



Título: ItGirls – Todos os segredos de uma verdadeira it girl
Autor: Alessandra Garattoni
Editora: Arte Ensaio
Ano: 2012

Resenha no instagram :)

A origem desse livro é um dos primeiros blogs de moda brasileiros, o homônimo “It Girl”, da autora Ale Garattoni, hoje à frente d'O Diário de uma mãe empreendedora. Com carinha de manual, o livro parece exatamente o que é: um blog adaptado e impresso, com imagens de referência, textos leves e uma coletânea de dicas espalhadas em categorias diversas.

Embora eu leia basicamente qualquer coisa, admito que tenho um certo preconceito com livros que se propõe a ser “guias” de comportamento e de estilo. Para mim isso é muito subjetivo e tudo que se coloca em listas de “Pode” e “Não pode” acaba perdendo um pouco do foco. Mas em “ItGirls”, Garattoni não se propõe a ser uma autoridade absoluta, mas sim a repassar o máximo de informações sobre moda, estilo e comportamento que reuniu ao longo dos anos, sempre reforçando que é preciso imprimir sua marca pessoal em tudo e se manter dentro do estilo em que você se sente confortável. Achei fofa.

A edição que eu li tem capa dura e páginas com uma gramatura maior, o que deixa o livro com um jeito de diário e, consequentemente, de segredos. O clima é leve e amistoso, como se uma amiga ou irmã mais velha estivesse te dando conselhos sobre a vida e te ajudando a escolher a roupa que vai usar na festa de alguém.

Eu li a edição da minha amiga mais “it”, então tudo acabou ganhando um tom mais forte de rosa, porque era como se ela também estivesse ali me passando aqueles conselhos. Foi uma sensação gostosa, de deixar o coração quentinho.

É um daqueles livros perfeitos para ler depois de uma história pesada, para refrescar as ideias.

:)