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29 de agosto de 2016

[Resenha] Cuidado com pessoas como eu (ou: uma história sobre o lado de dentro)

Resenha - Cuidado com pessoas como eu - Eduardo Baszczyn
Título: Cuidado com pessoas como eu
Autor: Eduardo Baszczyn
Ano: 2012
Editora: 7 Letras
Gênero: Romance/ Literatura Nacional
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐

Resenha no instagram :)

Eu já acompanho os escritos do Eduardo Baszczyn há um bom tempo. Quando conheci o blog dele, o ótimo "Coisas da Gaveta", fiquei encantada pelos textos curtos e poéticos, pela crueza e verdade que eu via neles. Infelizmente não tive como comprar os dois livros dele em seus lançamentos, mas esse ano tem sido um ano de resolver pendências e eu finalmente comprei, no Estante Virtual, o "Cuidado com pessoas como eu" e o "Desamores".

Li "Cuidado" em pouco tempo e alguns dos trechos desse livro me acertaram em cheio, bem no meio dos sentimentos que eu estava deixando para lá. Enquanto ouvimos o monólogo de Luísa, que se recusa a abrir a porta para o ex-amor do lado de fora, aprendemos mais sobre o lado de dentro do apartamento – e sobre o lado de dentro de Luísa.

Essa não é uma história linear e, por seguir a linha de raciocínio de uma Luisa perdida, às vezes é repetitivo e se perde no caminho. Em alguns momentos é um pouco cansativo tentar compreender a linha temporal que a narrativa segue, mas é preciso abrir mão disso para aproveitar a leitura. Nossa narradora não está interessada em fazer sentido, mas em desabafar. Luísa quer preencher o silêncio das páginas em branco e o nosso papel, enquanto ouvintes-leitores, é só esse. Ouvir. Ler. Aceitar Luísa. E só.

O livro inteiro é uma provocação de sentimentos e ações que te prende e te incomoda. Tentar absorver a história toda e reconstruir em nossa imaginação o relacionamento vivido por Luísa é uma tarefa difícil e que exige boa vontade. Assim como todos nós, Luísa é parcial e não podemos tomar sua versão como absoluta. Como em “Dom Casmurro”, em que a versão de Bentinho não é suficiente para condenar Capitu, em “Cuidado com Pessoas como Eu”, saber a versão de Luísa não é o bastante para julgar nenhum dos demais personagens. A versão de Luísa diz respeito apenas a ela e, em seu íntimo, é a sua verdade.

A narrativa de Baszczyn é lírica, crua e difícil, tanto no livro quanto no blog. Gostando ou não, ao ler “Cuidado com pessoas como eu”, fica uma certeza: não é possível ficar indiferente diante de tanta poesia.



8 de julho de 2016

[Resenha] Todo dia (ou: uma reflexão sobre o amor)

Todo Dia Every Day David Levithan Editora Galera Record Resenha Avaliação Imagem
Título: Todo Dia (Every Day)
Autor: David Levithan
Ano: 2013
Editora: Galera Record
Gênero: Romance / Literatura Estrangeira
Classificação:  ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐

O amor é uma grande coincidência. Encontrar com a alma certa, no momento certo, é uma raridade. Quando um encontro como esse acontece, é preciso agarrar a oportunidade com unhas e dentes. Mas e quando a alma que você encontrou troca de corpo todas as manhãs? 

A proposta desse livro lindo do David Levithan é essa: contar a história de A., uma alma sem corpo, e seu encontro com Rhiannon. A condição de A., de 16 anos, é extraordinária. A cada manhã, A. acorda em um novo corpo, uma nova vida, com novas lembranças e rotinas. Embora tenha consciência de que aquele corpo é de outra pessoa e consiga acessar todas as informações necessárias sobre a vida que vai viver aquele dia, A. sabe que na meia noite seguinte, será arrancado de onde está para acordar sabe-se lá onde, sabe-se lá porque. E tudo bem. A. está acostumado com isso. Está preparado. Não tem motivos para ficar.

Até acordar no corpo de Justin e conhecer Rhiannon. 

"Que história é essa sobre o instante em que você se apaixona? Como uma medida tão pequena pode conter algo tão grande? (...) O momento em que você se apaixona parece carregar séculos, gerações atrás de si - tudo isso se reorganizando para que essa intersecção precisa e incomum possa acontecer. Em seu coração, em seus ossos, por mais bobo que saiba que é, você sente que tudo levou a isso, que todas as flechas secretas estavam apontando para esse lugar, que o universo e o próprio tempo construíram isso muito tempo atrás, e agora você acaba de perceber que chegou ao local onde sempre deveria ter estado." - p. 25

O encontro dos dois é lindo, intenso, e a busca de A. para reencontrá-la todos os dias, independente do corpo em que esteja ou da vida que esteja levando, gera muitas metáforas importantes sobre os relacionamentos, abordando várias faces do desejo, da cultura, da renúncia e dos sacrifícios. Enquanto acompanhamos o desespero de A. para ficar ao lado de Rhiannon, vemos também a moça amadurecer e forçar A. a refletir sobre as necessidades reais do amor. 

Viver tantas vidas diferentes dá ao protagonista dessa história a chance de uma enorme reflexão sobre a cultura em sociedade e o fato de que, em essência, todas as vidas são parecidas. As pessoas querem viver, querem ser amadas, respeitadas, querem sentir que são necessárias. Somos, em resumo, 98% iguais, como A. cita em um trecho do livro, mas deixamos os 2% da diferença pesarem mais na balança. 

Nessa história linda e impecável, é impossível ficar indiferente. Essa é uma das histórias de amor mais bonitas que eu já conheci na ficção e estou bastante impressionada com o talento de Levithan, que transite com facilidade entre o lírico e o objetivo, e domina o texto de uma forma que o livro pode ter um trecho muito divertido e no capítulo seguinte um muito emocionante. Levithan pega as palavras e as transforma no que bem entende. Já estou caçando outros livros dele para saber se isso acontece em todas as histórias que ele conta ou somente nessa.

P.S.: Me emocionei escrevendo a resenha, só de reler os trechos preferidos que eu tinha marcado. Que livro, gente. Que livro.
 

1 de julho de 2016

[Resenha + Resultado da Promoção] Depois de Você - Jojo Moyes

Depois de Você - Jojo Moyes - Editora Intrínseca - Como eu era Antes de Você - Resenha - Avaliação - Classificação - Sorteio
Título: Depois de você (Original: After You)
Autor: Jojo Moyes
Ano: 2016
Editora: Intrínseca
Gênero: Romance / Literatura Estrangeira
Classificação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐


Junho foi um mês especial para o blog! Pegando carona no lançamento do filme "Como eu era antes de você", baseado no best seller homônimo da Jojo Moyes, decidi sortear um exemplar de “Depois de Você”, continuação da história. Foi a primeira promoção do blog! O resultado sai hoje, no final dessa resenha! Ansioso? :D

Bom. Preciso admitir que a notícia de que haveria uma continuação para o “Como eu era” dividiu opiniões no meu círculo de amigos. Eu mesma simplesmente não via necessidade de uma parte dois nessa história que, para mim, fechou o ciclo e não precisava de mais nada. Ok, Jojo, já partiu o coração de todo mundo, podemos seguir em frente. Mas daí não deu, né? Saiu a tal continuação, eu li a sinopse e quando me dei conta já estava querendo ler. Ossos do ofício, eu acho.

Preciso dizer que comecei a ler de má vontade, implicando um pouco com essa cutucada na ferida. Mas mesmo assim não consegui resistir e foi muito gostoso reencontrar os personagens de uma história tão especial. Rever a Lou, encontrá-la tão humana e tão real, é como reencontrar uma amiga. Nós queremos saber o que ela tem feito da vida, como tem se virado, como as coisas se desenrolaram. Dando um spoiler de leve: tá tudo meio errado com a Lou.

Vivendo sua bagunça emocional e rotineira, acompanhamos o processo de virada da Lou, enquanto ela faz as pazes com a família e com seu passado e tenta redescobrir os caminhos para continuar seguindo o conselho final de Will: viver, intensamente.

Depois de Você Como eu era antes de você Editora Intrínseca Jojo Moyes Resenha


Embora tenha alguns pontos altos de destaque e seja uma história interessante, “Depois de você” não é o melhor livro da Jojo (para mim, o melhor ainda é o “Um mais um”). O enredo muitas vezes beira o clichê, o que é um pouco chato depois de uma história com um final difícil como foi o “Como eu era”. Depois de jogar na nossa cara que a vida não é justa e que amar e respeitar o outro às vezes envolve tomar decisões difíceis, Jojo traz Lou de volta num turbilhão de problemas que poderiam acontecer com qualquer um. A Lou não precisava ser a Lou para essa história funcionar.

Com a introdução de novos personagens, todos densos e com suas bagagem de histórias traumáticas, a história ganha outros reflexos. A introdução de Lily, Sam, Jake e todos os personagens secundários do Grupo Seguindo em Frente (POIS É) traz um pouco de emoção e uma dose de 'chacoalhões' para o livro. Mas o grande destaque é, sem dúvidas, a família da Lou.

A família Clark é tão real que é possível reconhecer seus integrantes nas nossas próprias vidas. Treena continua sendo a irmã mais velha daquela amiga, Tom continua sendo sobrinho de alguém, todos nós temos, na vida, figuras para relacionar e identificar na mãe, no pai e no avô de Lou. Até os vizinhos mexeriqueiros e o ex-namorado imbecil: extremamente possíveis. Tenho certeza que você vai conseguir identificar algum deles na sua vida quando ler.

O livro vale sim a leitura, mas “Como eu era antes de você” continua sendo melhor. É possível ler “Depois de você” mesmo sem conhecer a história original, de tanto que ela acaba fazendo referências ao passado. Um livro gostoso de ler, com reflexões interessantes sobre seguir em frente. :)

E agora o resultado!

A promoção aconteceu no Facebook e o sorteio foi feito pelo aplicativo Sorteie-me, e foi encerrado às 17h30 do dia 1º de Julho. E o resultado foi:

Resultado do Sorteio de Livros do Blog A Line Leu Depois de Você Jojo Moyes Como eu era antes de você


Parabéns, Maria! ♥

Entre em contato com o blog para passar o seu endereço e receber seu livro!
Obrigada a todos os que participaram!
Fiquem ligados e aguardem as próximas novidades do blog! ;)

10 de junho de 2016

[Resenha] O oceano no fim do caminho (ou: melancolia sobrenatural)

O Oceano no Fim do Caminho Capa Neil Gaiman Resenha - The Ocean at the end of the lane Review Cover
Título: O oceano no fim do caminho (The Ocean at the End of the Lane)
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Gênero: Fantasia/Infanto Juvenil
Ano: 2013

No instagram :)

Eu não consigo pensar em Neil Gaiman sem me lembrar de Sandman. Foi o meu primeiro contato com o mundo das Graphic Novels e HQs adultas e eu me apaixonei pelas histórias sombrias e bizarras. Ainda fico encantada sempre que vejo algo relacionado e sigo carregando a vontade de ler toda a coleção do personagem (segura essa dica de presente hein?). Mas o fato é que, desde Sandman, cada vez que eu leio o nome do Gaiman no topo de uma capa, eu já tenho certeza de duas coisas: 1) eu quero ler; e 2) eu quero ler imediatamente.

Sandman Neil Gaiman Sonho Morpheus HQ Grafic Novel


Essas certezas ficam ainda maiores quando a capa em questão é tão linda e o nome do livro é tão legal. Quando eu vi minha colega lendo isso no trabalho, já saí perguntando sobre a sinopse e acabei e pedindo emprestado (sou dessas, desculpa).

O Oceano no Fim do Caminho - Capa- Neil Gaiman - Editora Intrínseca - Resenha - Avaliação
Olha que capa mais linda, cute-cute, vontade de apertar
Quis tanto conhecer essa história que li em um fim de semana, embora estivesse no meio da leitura de outro livro (“O canto do Dodô”, a próxima resenha aqui do blog). Li em duas respiradas. E valeu demais a pena!

O “Oceano no Fim do Caminho” do título é um lugar real, central no livro e na vida do protagonista (que não tem nome). Sem saber direito o motivo, nosso herói foge de um velório e dirige a esmo, até perceber que está indo em direção à casa onde morou na infância (atualmente demolida) e seguindo até o fim do caminho onde ela ficava – e onde ele vai se encontrar com um pedaço perdido de sua história.

Sentado diante do Oceano, que na verdade é um lago nos fundos da fazenda da família Hempstock (inclusive, MELHOR FAMÍLIA), ele vai relembrando pontos da sua infância que ele não sabia que lembrava. Na verdade, pontos que ele não sabia que tinha esquecido. Trechos nebulosos desse passado vão se interligando, puxando-o pela mão e nos levando junto para um passeio melancólico e sobrenatural.

O livro tem uma pegada bem tranquila de ler, com cara de conto, em que os acontecimentos não demoram e se entrelaçam de jeito leve. Ao mesmo tempo, o enredo e os personagens têm profundidade e são verossímeis. São explorados vários assuntos tensos ao longo da história. Gaiman trabalha nesse livro com os medos, o amadurecimento, a luta contra a escuridão que ronda o mundo. Mas mesmo assim, muitas vezes, a história segue uma linha que poderia facilmente ser explorada em filme infanto-juvenil. É bacana!

O ponto alto desse livro é com certeza o desenvolvimento dos personagens. A construção de todos eles é interessante, com destaque especial para as três integrantes da família Hempstock, Lettie , sua Mãe e sua Avó. Elas são misteriosas, sábias, corajosas, e suas histórias são indefinidas - é tudo parte do charme. Faz parte da graça não saber muito sobre elas além do fato de que elas são badasses caça-monstros. Tipo Sam e Dean Winchester, de Supernatural. Só que de saias e tranças.

Embora o final seja bastante melancólico, é um livro muito gostoso e muito rápido de ler. Ótimo para ler depois de um livro de estudo, depois de uma história muito cansativa, ou em um fim de semana de chuva, para aproveitar bem a vibe Gaiman. 4 estrelas, mas só porque uma ou outra ponta fica solta. De resto, só alegria!

O Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman - Editora Intrínseca - Resenha - Avaliação - Ranking

29 de maio de 2016

[Resenha] Anexos (ou: poderíamos ser nós)

Anexos Rainbow Rowell Resenha Leitura Avaliação Livro
Tìtulo: Anexos (Original: Attachments)
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Ano: 2014


Esse livro chegou com uma intimação: "Você precisa ler esse livro, somos nós duas nele". Quando alguém te diz isso, você não tem alternativa além de querer ler e começar imediatamente a procurar as semelhanças.

Mas antes de falar das semelhanças, bora apontar as diferenças que tornam esse livro um respiro no meio da mesmice que costumam ser os livros de romance contemporâneos. A sinopse já te dá uma pista: nosso protagonista é Lincoln, um programador de T.I. cujo trabalho é ler os e-mails dos funcionários do jornal para identificar se eles estão usando o e-mail de maneira imprópria. É no meio desse emprego bizarro que ele conhece nossas outras duas protagonistas, Jenny e Beth, uma revisora e uma jornalista. Mas ele não as conhece pessoalmente (nem nós, leitores). Tudo o que ele sabe sobre elas está contido nas conversas malucas, íntimas e intermináveis que elas desenvolvem em seus e-mails.

Para manter essa história de um jeito interessante, a autora alterna capítulos com estrutura comum, para narrar os pontos de vista de Lincoln, e capítulos inteiros sem narrador, apenas a transcrição dos e-mails trocados por nossas heroínas. E, lendo esses e-mails, a nossa reação é a mesma do menino-do-T.I.: nos encantamos por Beth e Jenny, queremos interagir com elas, ser amigas, trocar confidências. Lincoln vai além: de repente, descobre que está apaixonado por Beth.

Meio bizarro, eu sei. Mas no contexto fictício é uma gracinha, juro.

Durante a leitura, entendi bem rápido o comentário da minha amiga: podíamos mesmo ser nós duas, trocando e-mails durante o horário de trabalho e abrindo nossos corações para rir e para chorar. Eu vou além: Beth e Jenny poderiam ser qualquer um de nós que usamos a internet, que entendemos esse ambiente como uma extensão do nosso espaço, da nossa fala, como um ponto de encontro para ver os amigos e conversar.

A resolução da história força um pouco a barra, mas afinal de contas é um livro de romance, você precisa aceitar algumas coisas. Mas "Anexos" vale muito a pena a leitura, não pela história em si, mas por toda a forma com que ela se desenvolve, pela leveza e doçura com a qual Rainbow pega a nossa mão e nos conduz por toda a narrativa. Tenho certeza que você vai se identificar, se divertir e descobrir que o amor pode estar escondido em histórias extremamente improváveis.


Quatro estrelas para essa fofura :)

17 de maio de 2016

[Resenha] Quarto (ou: o estranho e lindo mundo de Jack)

Quarto de Jack Emma Donoghue Resenha Editora Verus
Título: Quarto (Room)
Autor: Emma Donoghue
Editora: Verus
Ano: 2011

Instagram :)


Esse livro chegou até mim emprestado, durante uma semana de licença médica em que tudo que eu precisava era companhia. Infelizmente não consegui ler nada durante a tal semana, mas li na semana seguinte e achei a leitura tão sensível e poderosa que acabei relendo alguns trechos.

Quando comecei a ler, já tinha visto o trailer do filme que adaptou a história para os cinemas, então Jack e sua Mãe já tinham rostos na minha imaginação. Isso foi útil, porque o livro não fornece muitas características físicas sobre os personagens (embora isso não faça tanta falta assim).

Narrado em primeira pessoa pelo Jack, o menino de 5 anos mais carismático de todos os tempos, o livro nos mantém diretamente ligados ao que o garoto sente, pensa e sabe. Enxergar a história inteira por meio dos olhos inocentes e curiosos de Jack é uma experiência nova e interessante, e a autora consegue manter durante toda a narração essa clareza: estamos ouvindo os pensamentos de uma criança de 5 anos.

"Escolhi a Colher Derretida, com o branco todo embolotado no cabo, de quando ela encostou sem querer na panela de macarrão fervendo. A Mãe não gosta da Colher Derretida, mas ela é a minha favorita, porque não é igual. Fiz carinho nos riscos da Mesa pra eles melhorarem, ela é um círculo todo branco, menos o cinza dos riscos, por causa de picar os alimentos." 
O Quarto é o mundo inteiro para Jack. As coisas que ele vê na Televisão, para ele, são coisas de outros planetas, inacessíveis, outros Quartos, de muitas outras dimensões. Jack é senhor desse mundo, profundo conhecedor de cada detalhe do Quarto, cada manchinha, cada detalhe, cada novidade mínima, cada trecho da rotina. Jack divide esse mundo com a Mãe e, eventualmente, com o Velho Nick, que aparece durante a noite, quando Jack já está dormindo no Armário, para fazer a Cama da Mãe ranger.

Quando sua Mãe conta para ele que o mundo é maior que o Quarto e apresenta ao menino um ousado plano de fuga, Jack sente seu universo se desfazer. Finalmente no Lá Fora, Jack vê tudo com olhos curiosos e tremendamente assustados. Tudo o que ele quer é voltar para o Quarto. Retornar ao único lugar que chamou de lar, e sobre o qual sua Mãe não quer nunca mais falar.

É estranho, essa é uma história pesada, que aborda situações traumáticas e extremas. Mesmo assim, um narrador tão inocente coloca as coisas em outra perspectiva. Essa mesma história poderia ter sido contada de mil maneiras diferentes e seria parecida com muitas outras. Seria chocante, dolorosa, provocaria todo tipo de reações. Mas, ao colocar Jack como narrador, ao colocar o leitor dentro da cabeça de uma criança tão original e inteligente, essa se torna uma história forte e poderosa sobre o amor que nos mantém de pé.

"Quarto" é um livro capaz de te prender até a última página. Em momento algum você quer deixar Jack sozinho no novo mundo em que ele precisa reaprender todas as coisas que achou que sabia. Jack e sua Mãe são personagens incríveis e inesquecíveis. Assim como o Quarto, um personagem ele próprio, povoando os sonhos de um e os pesadelos de outro.

Outro livro 5 estrelas, que mereceu o título de Melhor Livro do Ano pelo New York Times e pelo Independent.

Quarto O quarto de Jack Avaliação Resenha Ranking

Veja também o trailer de "O Quarto de Jack", indicado ao Oscar 2015 nas categorias Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Diretor e vencedor na categoria Melhor Atriz (Brie Larson):